natal ou a conspiração mundial
Hoje estava ver na televisão com os miudos um episódio da Lilo & Stitch dedicado ao natal. Em pleno Havai (ou lá o que é...) terra do surf e do sol festajava-se o natal em grande. Com direito a Pai Natal, presentes, cânticos de Natal e todas as trapalhadas de uma tradição que já ninguém sabe onde começou e porque é que continua. A massificação desta conspiração é impressionante e se continuarmos pela tarde a dentro vai-nos sendo despejado em quantidades por vezes homeopáticas e por vezes com direito a overdose este espírito natalício que supostamente nos deveria encher de sentimentos bons em relação ao mundo e aos outros.
Felizmente a mim, mesmo as doses homeopáticas, já surtem o efeito de overdoses consecutivas e estou à beira de mandar tudo à merda e pôr um ponto final nesta palhaçada.
Se ainda hoje não se consegue provar que Jesus Cristo foi um homem e viveu mesmo quando se diz que viveu o mesmo não acontece com o Pai Natal e a porcaria do consumismo que lhe está associado. Esta insanidade colectiva deixa as pessoas contagiadas por algo que não tem forma nem tamanho nem princípio.
O pior são as tretas moralistas que os nossos filhos consomem sob o formato de histórias de Natal na sua maioria com um teor católico completamente formatado e manipulador.
Para uma ateia (sim, o agnosticismo é demasiado passivo para mim e encaixa bem em quem não gosta de pensar) é demasiado violento ver a forma como aquilo que foi inventado para atribuir poder e estupidificar o Homem continuar a ser encarado com fé e rendição e a associar-se a novas e requintadas formas de controlo de mentalidades.
Não há pessoas estupidamente boas. Não há solidariedade e dádiva em passar-se horas num centro comercial para comprar presentes à pressa. Menos ainda no mundo em que vivemos hoje. É só mais um reflexo de uma sociedade que vive virada para o seu umbigo e prazer imediato e que é completamente inconsequente no que diz respeito aos seus hábitos e conquistas.
Qualquer dia pessoas como eu não têm para onde se virar e pessoas como os nossos filhos não têm onde e o que viver. Apenas porque não há espaço para quem não se conforma com conteúdos falsos, moralismos hipócritas e com a sua própria ignorância em relação a quase tudo. Ao fim e ao cabo é a ignorância que pactua com a passividade e com o desequilíbrio mundial que nos permite continuar a olhar para o nosso umbigo achando que o fazemos para o nosso bem.